Outliers
Durante uma época da minha vida acadêmica, trabalhei em um projeto para identificar outliers.
São objetos que não se encaixavam nas distribuições de populações estelares. Aparecem como pontos deslocados em gráficos distintos. Não pertenciam a nenhum grupo conhecido.
A expectativa era encontrar anãs marrons. Corpos que não são exatamente estrelas, nem planetas.
Durante muito tempo, foi assim que me senti, fora de lugar até onde deveria caber. E deslocada até onde quis pertencer. Na tentativa de me ajustar, fui me afastando de mim.
Há pouco mais de dois anos, recebi o diagnóstico de pessoa neurodivergente, mais especificamente estou dentro do espectro autista. Não foi simples. Mas foi esclarecedor. Muitas peças começaram a se encaixar. Não porque eu tenha mudado, mas porque finalmente parei de tentar me explicar a partir de parâmetros que nunca foram feitos para mim.
Porém veio o outro lado: o estranhamento. Os comentários baseados em estereótipos. A necessidade constante de validar uma experiência que não cabe em rótulos simplificados.
Por isso, muitas vezes, o silêncio parece mais fácil.
Mas talvez alguém precise ler isso, saber que não está só. Porque às vezes não se trata de não se encaixar.
Talvez sejamos apenas outliers.
E, como as anãs marrons, existimos fora das classificações mais confortáveis, não por erro, mas por natureza.


Lindo seu relato. Somos muito mais do rótulos. ✨✨
Adorei!!!